PORTUGUÊS

Joãozinho e Margarida (Hansel e Gretel)

ENGLISH

Hansel and Gretel


Em frente a uma grande floresta morava um pobre lenhador com a mulher e dois filhinhos; o menino chamava-se Joãozinho e a menina Margarida. Tinham pouco com que se alimentar, e, sobrevindo na cidade uma grande carestia, nem mesmo o pão de cada dia conseguiram mais.
Numa dessas noites, quando atormentado pelas preocupações não conseguia dormir e ficava revirando inquieto na cama, entre um suspiro e outro, disse à mulher:
- Que será de nós? Como alimentaremos nossos filhinhos, se nada temos nem para nós?
- Escuta aqui, meu caro marido, - respondeu ela - amanhã cedo, levaremos as crianças para o mais cerrado da floresta, aí lhes acenderemos uma fogueira e lhes daremos um pedaço de pão para que se alimentem;
depois iremos para o nosso trabalho e os deixaremos lá sozinhos; êles não conseguirão encontrar o caminho de casa e assim ficaremos livres dêles.
- Não, mulher, isso não posso fazer. Se abandonar meus filhos sozinhos na floresta, não tardarão as feras a devorá-los, como poderei viver depois?
- És um tolo, isso sim. Teremos de morrer os quatro de fome e não te resta se não aplainar as tábuas para os nossos caixões.
Contudo, não deu sossêgo ao pobre marido até êle concordar.
- Mas as pobres crianças causam-me uma pena imensa! - repetia êle.
As crianças também, de tanta fome, não conseguiam dormir; assim ouviram tudo o que a madrasta dizia ao pai. Chorando amargamente, Margarida disse a João- zinho:
- Está tudo acabado para nós!
- Não te aflijas, - respondeu Joãozinho - não tenhas mêdo, eu sei o que hei de fazer.
Assim que os velhos adormeceram, Joãozinho levantou-se bem de mansinho, vestiu o paletó, abriu a porta da frente e escapuliu para fora. A lua resplandecia diáfana e os seixos branquinhos cintilavam diante da casa como se fôssem moedas recém-cunhadas. O menino apanhou e meteu nos bolsos quantos pôde. Depois voltou para casa e disse a Margarida:
- Tranqüiliza-te, querida irmãzinha, e dorme sossegada; Deus não nos abandonará.
E deitou-se novamente.
Ao amanhecer, antes ainda do sol raiar, a mulher acordou as crianças, dizendo:
- Levantem-se, seus vadios. Vamos catar lenha na floresta.
Deu um pedaço de pão a cada um e disse:
- Eis aqui para o vosso almoço; mas não deveis comê-lo antes do meio-dia, se não nada mais tereis que comer depois.
Margarida guardou o pão no avental pois Joãozi- nho estava com os bolsos cheios de pedras. Em seguida, encaminharam-se todos rumo à floresta. Tendo caminhado um certo trecho, Joãozinho parou e voltou-se a olhar para a casa; fêz isso repetidas vêzes, até que o pai, intrigado, lhe perguntou:
- Que tanto olhas, Joãozinho, e por que ficas sempre para trás? Vamos, apressa-te.
- Ah, papai, - disse o menino - estou olhando para o meu gatinho branco, que, de cima do telhado, está acenando para mim.
- Tolo, não é o teu gato - interveio a mulher; - não vês que é o sol da manhã brilhando na chaminé?
Mas Joãozinho não olhava para gato nenhum; era apenas um pretexto para, tôdas as vêzes, deixar cair no caminho uma das pedrinhas brilhantes que trazia no bolso.
Quando, finalmente, chegaram ao meio da floresta, disse-lhes o pai:
- Juntemos um pouco de lenha, meninos, vou acender uma fogueira para que não fiqueis enregelados.
Joãozinho e Margarida juntaram uma boa quantidade de gravetos e ramos sêcos, com os quais acenderam a fogueira; ussim que as chamas se elevaram, disse-lhes a mulher:
- Deitai-vos juntos do fogo, meninos, enquanto nós vamos rachar lenha; uma vez terminado o nosso trabalho, viremos buscar-vos.
Joãozinho e Margarida sentaram-se perto do fogo e, ao meio-dia, cada qual comeu o seu pedaço de pão. Ouvindo os golpes do machado, julgaram que o pai estivesse aí por perto; mas não era o machado, era simplesmente um galho que êle havia amarrado a uma árvore sêca e que batia sacudido pelo vento. Ficaram muito tempo sentados junto do fogo, depois, pelo cansaço, fo- ram-se-lhes fechando os olhos até adormecerem profundamente. Quando despertaram, era já noite avançada. Margarida pôs-se a chorar com mêdo.
- Como sairemos agora da floresta?
- Espera um pouco - disse-lhe Joãozinho para a consolar - espera até surgir a lua, aí encontraremos o caminho.
Não tardou, apareceu a lua resplandecente. Joãozinho tomou a irmãzinha pela mão e juntos foram seguindo as pedrinhas, que brilhavam como moedas novas e lhes indicavam o caminho. Andaram a noite tôda; ao despontar da aurora, chegaram à casa paterna. Bateram à porta e, quando a mulher abriu, vendo os dois na sua frente, disse, muito zangada:
- Crianças malvadas, por que dormistes tanto na floresta? Até pensamos que não queríeis mais voltar para casa.
O pai, ao contrário, alegrou-se ao vê-los, pois remoia-o o remorso por tê-los abandonado lá sòzinhos.
Assim passou um certo tempo. Depois a miséria tornou a invadir a casa e, uma noite, quando estavam deitados, os meninos ouviram a madrasta dizer ao pai:
- Já comemos tudo o que havia em casa, só nos resta meio pão, e com êle acaba a ração. E' necessário que as crianças se vão embora; desta vez, porém, os conduziremos mais para o embrenhado da floresta, a fim de que não encontrem o caminho para voltar. Não nos resta outra solução.
O homem sentiu confranger-se-lhe o coração e ia pensando: "Seria melhor que repartisses teu último bo
cado com teus filhos"; e relutava em concordar. A mulher, porém, não queria dar-lhe ouvido e censurava-o àsperamente. Ora, quem diz A deve também dizer B e desde que havia cedido da primeira vez, viu-se forçado a ceder da segunda.
As crianças, que ainda estavam acordadas, ouviram tôda a conversa. Assim que os velhos adormeceram, Joãozinho levantou-se novamente para sair de mansinho, como da outra vez, para catar os seixos lá fora; mas a madrasta havia trancado a porta e êle não pôde sair. En- tretando, consolou a irmãnzinha, dizendo-lhe:
- Não chores Margarida, dorme sossegada; o bom Deus nos há de ajudar.
Ao raiar do dia, na manhã seguinte, a madrasta tirou as crianças da cama. Cada um dêles recebeu um pedaço de pão, ainda menor que da vez anterior. Em caminho para a floresta, Joãozinho esfarelou-o no bôlso e, de quando em quando, parava a fim de, jeitosamente, deixar cair as migalhas.
- Que tanto olhas para trás, Joãozinho, e por que te demoras? - perguntou o pai.
- Estou olhando para o meu pompinho que está a dizer-me adeus de cima do telhado.
- És um tolo, - disse a mulher - não vês então que não é o teu pompinho, mas sim o sol nascente, que brilha na chaminé.
Entretanto, o menino fôra esparramando, pouco a pouco, as migalhas pelo longo do caminho.
Dessa vez a madrasta conduziu as crianças ainda mais para o interior da floresta, para um lugar em que jamais haviam estado. Acenderam, novamente, uma grande fogueira e ela disse-lhes:
- Ficai aqui, quietinhos, meninos. Quando estiverdes cansados, deitai-vos e dormi um pouco; enquanto isso, nós iremos rachar lenha e, à tarde, ao terminar nosso trabalho, viremos buscar-vos.
Ao meio-dia, Margarida repartiu seu pedaço de pão com Joãozinho, que havia espalhado o dêle pelo caminho. Depois adormeceram e anoiteceu; mas ninguém foi buscá-los. Acordaram quando ia alta a noite e a menina pôs-se a chorar. Joãozinho consolou-a, dizendo:
- Espera até surgir a lua, aí então veremos as migalhas de pão que espalhei e por elas encontraremos o caminho de casa.
Quando surgiu a lua, levantaram-se, mas não encontraram mais nem uma só migalha; os passarinhos, que andam por tôda parte, tinham comido tôdas. Joãozinho então disse à Margarida:
- Não tem importância, havemos de encontrar o caminho de qualquer maneira.
Não encontraram o caminho e caminharam tôda a noite e mais um dia inteiro sem conseguir sair da floresta. Estavam com uma fome tremenda, pois só tinham comido algumas amoras, e tão cansados que as pernas não se agüentavam mais; então, deitaram-se debaixo de uma árvore e adormeceram.
Era já a terceira manhã, depois que haviam saído da casa do pai; retomaram novamente o caminho, mas cada vez se embrenhavam mais pela floresta a dentro e, se ninguém viesse em seu socorro, certamente acabariam morrendo de fome.
Ao meio-dia, avistaram um lindo passarinho, alvo como a neve, pousado num galho; cantava tão maviosa- mente que os meninos pararam para ouvi-lo. Quando acabou de cantar, saiu a voar na frente dêles, que o foram acompanhando, e assim chegaram a uma casinha onde o passarinho foi pousar no telhado. Chegando bem perto, viram que a casinha era feita de pão-de-ló e coberta de torta, com janelinhas de açúcar cândi.
- Mãos à obra! - exclamou satisfeito Joãozinho - podemos fazer uma excelente refeição. Eu comerei um pedaço do telhado e tu, Margarida, podes comer um pedaço da janela; é doce.
Joãozinho ergueu-se na ponta dos pés, estendeu as mãos e arrancou um pedaço de telhado para provar que sabor tinha. Margarida, aproximando-se dos vidros da janela, pôs-se a lambiscá-los. Então, de dentro da casa, saiu uma vòzinha estridente:

- Rapa, rapa, rapinha,
Quem rapa a minha casinha?

Os meninos responderam:

- O vento, sou eu.
O filho do céu.

e continuaram comendo, sem se perturbar. Joãozinho, que achava o telhado delicioso, arrancou um belo pedaço e Margarida apoderou-sc de um vidro inteiro, redondo; sentou-se no chão e comeu-o deliciada.
Mas, de repente, abriu-se a porta e num passo trôpego saiu uma velha decrépita, apoiada numa muleta. Joãozinho e Margarida assustaram-se de tal maneira que deixaram cair o que tinham nas mãos. A velhinha, porém, meneando a cabeça, disse-lhes:
- Ah, meus queridos meninos, quem vos trouxe aqui? Entrai e ficai comigo, aqui nenhum mal vos acontecerá.
Pegou-os pela mão e levou-os para dentro da casinha. Aí serviu-lhes uma deliciosa refeição, composta de leite e bolinhos, maçãs e nozes; depois foram preparadas para êles duas lindas caminhas, muito limpas e alvas; Joãozinho e Margarida, muito cansados, deitaram-se, julgando estar no céu.
A velha fingia ser muito boa, mas na verdade era uma bruxa muito má, que atraía as crianças; para isso havia construido a casinha de pão-de-ló. E, quando caía em suas mãos alguma criança, ela matava-a, cozinhava-a e comia-a, e êsse dia era para a bruxa um dia de festa.
As bruxas são, geralmente, míopes e têm os olhos vermelhos, mas são dotadas de um olfato muito agudo, como os animais, o que lhes permite pressentir a chegada de criaturas humanas. Portanto, quando Joãozinho e Margarida se aproximaram da casa, ela riu sarcasticamente, dizendo com os seus botões: "Estes cairam em meu poder, não me escaparão mais."
Pela manhã, bem cedinho, antes que os meninos acordassem, levantou-se e foi espiá-los. Vendo-os bochechudos e coradinhos, a dormir como dois anjinhos, murmurou: "Que petisco delicioso vou ter!" E agarrando Joãozinho com seus dedos aduncos, levou-o para um chi- queirinho, trancando-o dentro das grades de ferro; e de nada lhe adiantou gritar e esperneur.
Depois foi ter com Margarida. Com um safanão, despertou-a e gritou:
- Levanta-te, preguiçosa! Vai buscar água e prepara uma boa comidinha para teu irmão, que está prê- so no chiqueirinho e deve engordar. Pois, assim que estiver bem gordinho, quero comê-lo.
Margarida desatou a chorar amargamente. Mas seu pranto foi inútil e teve mesmo de fazer o que lhe ordenava a perversa bruxa.
Margarida, então, preparava os manjares mais requintados para Joãozinho, enquanto ela não recebia mais do que algumas cascas de caranguejos para comer. Cada manhã a velha arrastava-se até junto da grade e dizia:
- Joãozinho, mostra-me teu dedinho, quero ver se está gordinho!
Joãozinho, porém, mostrava-lhe sempre um ossinho e a velha, que era extremamente míope, não podendo ver direito, julgava que fôsse o dedo do menino, ficando muito admirada por êle nunca engordar. Passadas quatro semanas, visto que Joãozinho continuava sempre magro, perdeu a paciência e resolveu não esperar mais.
- Vamos, Margarida, - ordenou à menina - traz água depressa; gordo ou magro não importa, matarei assim mesmo Joãozinho e amanhã o comerei.
Como chorou a pobre irmãzinha ao ter de trazer a água! Como lhe corriam abundantes as lágrimas pelas faces!
- Ah, Deus bondoso, ajuda-nos! - implorava ela. - Antes nos tivessem devorado as feras no meio da floresta! Pelo menos teríamos morrido juntas!
- Deixa de lamentações, - gritou-lhe a velha - elas de nada adiantam.
Pela manhã, bem cedinho, Margarida teve de ir buscar água, encher o caldeirão e acender o fogo.
- Primeiro vamos assar o pão, já preparei a massa, - disse a bruxa - e já acendi o forno.
Empurrou a pobre Margarida para perto do forno do qual saíram grandes labaredas.
- Entra lá dentro, - disse a velha - e vê se já está bem quente para poder assar o pão.
Assim, pensava a bruxa, quando Margarida estivesse lá dentro, fecharia a bôca do forno, e a deixaria assar para comê-la também. A menina, porém, adivinhando sua intenção, disse:
- Eu não sei como se faz! Como é que se entra?
- Tonta, estúpida, - disse a velha - a abertura é bastante grande, olha, até eu poderia entrar!
Assim dizendo, abeirou-se da bôca do forno, aproximando a cabeça. Margarida, então, com um forte empurrão fê-la entrar dentro e fechou ràpidamente a porta de ferro com o cadeado. Uh! Que berros horríveis soltava a bruxa! Margarida, porém, saiu correndo e a velha acabou morrendo, miseràvelmente queimada.
Chegando ao chiqueirinho, a menina abriu a portinhola, dizendo ao irmão:
- Joãozinho, corre, estamos livres; a velha bruxa morreu.
Joãozinho então saiu pulando, alegre como um passarinho ao lhe abrirem a guiola. Com que felicidade se abraçaram e beijaram, rindo e dançando? Como nada mais tinham a temer, percorreram a casinha da bruxa
e viram espalhadas pelos cantos grandes arcas cheias de pérolas e pedrarias preciosas.
- Estas são bem melhores do que os seixozinhos!
- disse Joãozinho, enquanto ia enchendo os bolsos até não poder mais.
- Também eu, - disse Margarida - quero levar um pouco disso para casa. - E foi enchendo o avental.
- Agora vamo-nos embora daqui, - disse Joãozinho - temos que sair da floresta da bruxa.
Após terem andado durante algumas horas, chegaram à margem de um rio muito largo.
- Não é possível atravessá-lo, - disse Joãozinho
- pois não vejo ponte alguma.
- Nem mesmo um barquinho, - disse Margarida,
- mas olha, aí vem vindo uma pata branca; se lhe pedirmos, ela certamente nos ajudará a atravessar. Pôs-se a chamá-la:

- Patinha, patinha.
Cá estão João e Guidinha.
Não podemos passar,
Queres nos levar?

A pata acercou-se da margem e Joãozinho sentou- se-lhe nas costas, dizendo à irmãozinha que também sentasse, bem juntinho dêle. Mas Margarida respondeu:
- Não, ficaria muito pesado para a boa patinha, é melhor que ela nos transporte um de cada vez.
Assim féz a boa patinha; e quando, felizmente, chegaram ao outro lado, depois de caminhar um bom percurso, o bosque foi-se tornando sempre mais familiar até que por fim viram a casa paterna. Deitaram a correr
em sua direção, e lá chegando, precipitaram-se para dentro, onde se lançaram ao pescoço do pai, cobrindo-o de beijos.
O pobre homem nunca mais tivera uma hora feliz desde que abandonara as crianças no meio da floresta. A mulher (para felicidade de todos) havia morrido. Então Margarida sacudiu o avental, deixando rolar pelo chão as pérolas e as pedras preciosas; Joãozinho acrescentou todo o conteúdo de seus bolsos.
Acabaram-se todos os sofrimentos e preocupações e, desde êsse dia, viveram os três contentes e felizes pelo resto da vida.
"Minha história acabou, um rato passou, quem o pegar, poderá sua pele aproveitar."
Near a great forest there lived a poor woodcutter and his wife, and his two children; the boy's name was Hansel and the girl's Grethel. They had very little to bite or to sup, and once, when there was great dearth in the land, the man could not even gain the daily bread. As he lay in bed one night thinking of this, and turning and tossing, he sighed heavily, and said to his wife, "What will become of us? we cannot even feed our children; there is nothing left for ourselves."

"I will tell you what, husband," answered the wife; "we will take the children early in the morning into the forest, where it is thickest; we will make them a fire, and we will give each of them a piece of bread, then we will go to our work and leave them alone; they will never find the way home again, and we shall be quit of them."

"No, wife," said the man, "I cannot do that; I cannot find in my heart to take my children into the forest and to leave them there alone; the wild animals would soon come and devour them." - "O you fool," said she, "then we will all four starve; you had better get the coffins ready," and she left him no peace until he consented. "But I really pity the poor children," said the man.

The two children had not been able to sleep for hunger, and had heard what their step-mother had said to their father. Grethel wept bitterly, and said to Hansel, "It is all over with us."

"Do be quiet, Grethel," said Hansel, "and do not fret; 1 will manage something." And when the parents had gone to sleep he got up, put on his little coat, opened the back door, and slipped out. The moon was shining brightly, and the white flints that lay in front of the house glistened like pieces of silver. Hansel stooped and filled the little pocket of his coat as full as it would hold. Then he went back again, and said to Grethel, "Be easy, dear little sister, and go to sleep quietly; God will not forsake us," and laid himself down again in his bed. When the day was breaking, and before the sun had risen, the wife came and awakened the two children, saying, "Get up, you lazy bones; we are going into the forest to cut wood." Then she gave each of them a piece of bread, and said, "That is for dinner, and you must not eat it before then, for you will get no more." Grethel carried the bread under her apron, for Hansel had his pockets full of the flints. Then they set off all together on their way to the forest. When they had gone a little way Hansel stood still and looked back towards the house, and this he did again and again, till his father said to him, "Hansel, what are you looking at? take care not to forget your legs."

"O father," said Hansel, "lam looking at my little white kitten, who is sitting up on the roof to bid me good-bye." - "You young fool," said the woman, "that is not your kitten, but the sunshine on the chimney-pot." Of course Hansel had not been looking at his kitten, but had been taking every now and then a flint from his pocket and dropping it on the road. When they reached the middle of the forest the father told the children to collect wood to make a fire to keep them, warm; and Hansel and Grethel gathered brushwood enough for a little mountain j and it was set on fire, and when the flame was burning quite high the wife said, "Now lie down by the fire and rest yourselves, you children, and we will go and cut wood; and when we are ready we will come and fetch you."

So Hansel and Grethel sat by the fire, and at noon they each ate their pieces of bread. They thought their father was in the wood all the time, as they seemed to hear the strokes of the axe: but really it was only a dry branch hanging to a withered tree that the wind moved to and fro. So when they had stayed there a long time their eyelids closed with weariness, and they fell fast asleep.

When at last they woke it was night, and Grethel began to cry, and said, "How shall we ever get out of this wood? "But Hansel comforted her, saying, "Wait a little while longer, until the moon rises, and then we can easily find the way home." And when the full moon got up Hansel took his little sister by the hand, and followed the way where the flint stones shone like silver, and showed them the road. They walked on the whole night through, and at the break of day they came to their father's house. They knocked at the door, and when the wife opened it and saw that it was Hansel and Grethel she said, "You naughty children, why did you sleep so long in the wood? we thought you were never coming home again!" But the father was glad, for it had gone to his heart to leave them both in the woods alone.

Not very long after that there was again great scarcity in those parts, and the children heard their mother say at night in bed to their father, "Everything is finished up; we have only half a loaf, and after that the tale comes to an end. The children must be off; we will take them farther into the wood this time, so that they shall not be able to find the way back again; there is no other way to manage." The man felt sad at heart, and he thought, "It would better to share one's last morsel with one's children." But the wife would listen to nothing that he said, but scolded and reproached him. He who says A must say B too, and when a man has given in once he has to do it a second time.

But the children were not asleep, and had heard all the talk. When the parents had gone to sleep Hansel got up to go out and get more flint stones, as he did before, but the wife had locked the door, and Hansel could not get out; but he comforted his little sister, and said, "Don't cry, Grethel, and go to sleep quietly, and God will help us." Early the next morning the wife came and pulled the children out of bed. She gave them each a little piece of "bread -less than before; and on the way to the wood Hansel crumbled the bread in his pocket, and often stopped to throw a crumb on the ground. "Hansel, what are you stopping behind and staring for?" said the father.

"I am looking at my little pigeon sitting on the roof, to say good-bye to me," answered Hansel. "You fool," said the wife, "that is no pigeon, but the morning sun shining on the chimney pots." Hansel went on as before, and strewed bread crumbs all along the road. The woman led the children far into the wood, where they had never been before in all their lives. And again there was a large fire made, and the mother said, "Sit still there, you children, and when you are tired you can go to sleep; we are going into the forest to cut wood, and in the evening, when we are ready to go home we will come and fetch you."

So when noon came Grethel shared her bread with Hansel, who had strewed his along the road. Then they went to sleep, and the evening passed, and no one came for the poor children. When they awoke it was dark night, and Hansel comforted his little sister, and said, "Wait a little, Grethel, until the moon gets up, then we shall be able to see the way home by the crumbs of bread that I have scattered along it."

So when the moon rose they got up, but they could find no crumbs of bread, for the birds of the woods and of the fields had come and picked them up. Hansel thought they might find the way all the same, but they could not. They went on all that night, and the next day from the morning until the evening, but they could not find the way out of the wood, and they were very hungry, for they had nothing to eat but the few berries they could pick up. And when they were so tired that they could no longer drag themselves along, they lay down under a tree and fell asleep.

It was now the third morning since they had left their father's house. They were always trying to get back to it, but instead of that they only found themselves farther in the wood, and if help had not soon come they would have been starved.

About noon they saw a pretty snow-white bird sitting on a bough, and singing so sweetly that they stopped to listen. And when he had finished the bird spread his wings and flew before them, and they followed after him until they came to a little house, and the bird perched on the roof, and when they came nearer they saw that the house was built of bread, and roofed with cakes; and the window was of transparent sugar. "We will have some of this," said Hansel, "and make a fine meal. I will eat a piece of the roof, Grethel, and you can have some of the window-that will taste sweet." So Hansel reached up and broke off a bit of the roof, just to see how it tasted, and Grethel stood by the window and gnawed at it. Then they heard a thin voice call out from inside,

"Nibble, nibble, like a mouse,
Who is nibbling at my house?"

And the children answered,

"Never mind, It is the wind."

And they went on eating, never disturbing themselves. Hansel, who found that the roof tasted very nice, took down a great piece of it, and Grethel pulled out a large round window-pane, and sat her down and began upon it.

Then the door opened, and an aged woman came out, leaning upon a crutch. Hansel and Grethel felt very frightened, and let fall what they had in their hands. The old woman, however, nodded her head, and said, "Ah, my dear children, how come you here? you must come indoors and stay with me, you will be no trouble." So she took them each by the hand, and led them into her little house. And there they found a good meal laid out, of milk and pancakes, with sugar, apples, and nuts. After that she showed them two little white beds, and Hansel and Grethel laid themselves down on them, and thought they were in heaven.

The old woman, although her behaviour was so kind, was a wicked witch, who lay in wait for children, and had built the little house on purpose to entice them. When they were once inside she used to kill them, cook them, and eat them, and then it was a feast day with her. The witch's eyes were red, and she could not see very far, but she had a keen scent, like the beasts, and knew very well when human creatures were near. When she knew that Hansel and Grethel were coming, she gave a spiteful laugh, and said triumphantly, "I have them, and they shall not escape me!"

Early in the morning, before the children were awake, she got up to look at them, and as they lay sleeping so peacefully with round rosy cheeks, she said to herself, "What a fine feast I shall have!" Then she grasped Hansel with her withered hand, and led him into a little stable, and shut him up behind a grating; and call and scream as he might, it was no good. Then she went back to Grethel and shook her, crying, "Get up, lazy bones; fetch water, and cook something nice for your brother; he is outside in the stable, and must be fattened up. And when he is fat enough I will eat him." Grethel began to weep bitterly, but it was of no use, she had to do what the wicked witch bade her. And so the best kind of victuals was cooked for poor Hansel, while Grethel got nothing but crab-shells.

Each morning the old woman visited the little stable, and cried, "Hansel, stretch out your finger, that I may tell if you will soon be fat enough." Hansel, however, used to hold out a little bone, and the old woman, who had weak eyes, could not see what it was, and supposing it to be Hansel's finger, wondered very much that it was not getting fatter.

When four weeks had passed and Hansel seemed to remain so thin, she lost patience and could wait no longer. "Now then, Grethel," cried she to the little girl; "be quick and draw water; be Hansel fat or be he lean, tomorrow I must kill and cook him." Oh what a grief for the poor little sister to have to fetch water, and how the tears flowed down over her cheeks! "Dear God, pray help us!" cried she; "if we had been devoured by wild beasts in the wood at least we should have died together."

"Spare me your lamentations," said the old woman; "they are of no avail." Early next morning Grethel had to get up, make the fire, and fill the kettle. "First we will do the baking," said the old woman; "I nave heated the oven already, and kneaded the dough." She pushed poor Grethel towards the oven, out of which the flames were already shining.

"Creep in," said the witch, "and see if it is properly hot, so that the bread may be baked." And Grethel once in, she meant to shut the door upon her and let her be baked, and then she would have eaten her. But Grethel perceived her intention, and said, "I don't know how to do it: how shall I get in?"

"Stupid goose," said the old woman, "the opening is big enough, do you see? I could get in myself!" and she stooped down and put her head in the oven's mouth. Then Grethel gave her a push, so that she went in farther, and she shut the iron door upon her, and put up the bar. Oh how frightfully she howled! but Grethel ran away, and left the wicked witch to burn miserably.

Grethel went straight to Hansel, opened the stable-door, and cried, "Hansel, we are free! the old witch is dead!" Then out flew Hansel like a bird from its cage as soon as the door is opened. How rejoiced they both were! how they fell each on the other's neck! and danced about, and kissed each other! And as they had nothing more to fear they went over all the old witch's house, and in every corner there stood chests of pearls and precious stones. "This is something better than flint stones," said Hansel, as he filled his pockets, and Grethel, thinking she also would like to carry something home with her, filled her apron full. i! Now, away we go," said Hansel, "if we only can get out of the witch's wood." When they had journeyed a few hours they came to a great piece of water. "We can never get across this," said Hansel, "I see no stepping-stones and no bridge."

"And there is no boat either," said Grethel; "but here comes a white duck; if I ask her she will help us over." So she cried,

"Duck, duck, here we stand,
Hansel and Grethel, on the land,
Stepping-stones and bridge we lack,
Carry us over on your nice white back."

And the duck came accordingly, and Hansel got upon her and told his sister to come too. "No," answered Grethel, "that would be too hard upon the duck; we can go separately, one after the other." And that was how it was managed, and after that they went on happily, until they came to the wood, and the way grew more and more familiar, till at last they saw in the distance their father's house. Then they ran till they came up to it, rushed in at the door, and fell on their father's neck. The man had not had a quiet hour since he left his children in the wood; but the wife was dead. And when Grethel opened her apron the pearls and precious stones were scattered all over the room, and Hansel took one handful after another out of his pocket. Then was all care at an end, and they lived in great joy together. My tale is done, there runs a mouse, whosoever catches it, may make himself a big fur cap out of it.




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